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Fundamentalismo católico!

por Neurótika Webb, em 15.07.15

Queria que este blog tivesse a mesma regra que o meu avô instituíu nas horas das refeições: "Não se fala nem de política nem de religião", mas há coisas que não consigo deixar passar.

 

Acabei de ter uma conversa absolutamente enervante com uma amiga de infância.

 

Mas antes, há que enquadrar o tema.

Crescemos as duas em famílias católicas e estudámos juntas num colégio jesuíta.

Se eu era uma menina rebelde, ela era dez vezes pior que eu, coisa que se prolongou até à faculdade. Passa-se com ela um episódio, em que desaparece com um amigo meu, a meio de uma noite de copos, e me liga às 3 da tarde a perguntar onde está. Estava em casa dele, mas nem sequer se lembrava como lá tinha ido ter. 

De repente casou-se, com um primo afastado, e resolveu (suspeito que por influência dele) voltar a ser católica praticante. Não questiono as escolhas de cada um, mas a nossa amizade ficou em "banho-maria".

 

Quando ela aqui chegou, mal reconheci a rapariga "boazuda" que dava a volta à cabeça dos gajos. Cinco filhos depois, está gasta, acabada, cheia de cabelos brancos, que não pinta porque o marido não aprova, sem maquilhagem e com as mãos de uma criada de servir...desistiu da carreira para ficar em casa a tratar dos filhos. Dói-me ver a minha amiga neste estado.

 

Mas, apesar de termos enveredado por caminhos diferentes, continuo a ser o S.O.S. dela, se calhar porque as minhas opiniões radicais a fazem questionar muita coisa.

 

Problema: a filha de 12 anos está grávida.

 

O marido diz que o aborto é pecado, que estão a matar uma criança, um ser humano. E eu perguntei-lhe, "E a tua filha é o quê? Não é uma criança? Não é um ser humano? E o pai da criança, o que é que ele diz?"

 

Aparentemente, o pai da criança é um puto com 15 anos, mas que mesmo assim, o marido da minha amiga diz que ele vai ter que ser obrigado a casar. 

Ora bem, os pais do rapaz não são católicos praticantes, e a última coisa que vão deixar é o filho casar-se aos 15 anos...eu faria o mesmo!

Com isto, está declarada guerra entre as duas famílias, com os pais do rapaz a pressionarem a filha da minha amiga a fazer um aborto.

O marido dela com discursos sobre a Eva e o pecado original...sim, o gajo é um perfeito atrasado mental, que se esconde atrás da religião para esconder o machismo e o comportamento típico de um agressor, que prefere dar cabo da vida de uma criança a abdicar de crendices anacrónicas.

 

A minha amiga está pasmada, "como é que isto foi acontecer", "ela é tão sossegadinha", e finalmente saíu-lhe "a quem é que ela foi sair!"

 

Aqui eu parei, olhei para ela e respondi "A quem é que ela sai? Sai a ti! Ou achas que estes últimos anos te apagaram o passado? Estás com algum ataque de amnésia? Ou de repente não te lembras que eras tu que subias para as colunas das discotecas em Ibiza e fazias top-less?"

 

Desatou-me a chorar, mas até agora não a consegui fazer ver que este marido católico-fundamentalista está a destruí-la, a ela e aos filhos. 

 

Podem chamar-me os nomes que quiserem, mas depois de 9 anos enjaulada num colégio jesuíta, a ser tratada como um ser humano de segunda categoria, só por ser mulher, posso falar com propriedade sobre estas coisas!

 

Não consigo acreditar numa religião (aqui friso religião, e não Deus, sou agnóstica) que trata as mulheres desta maneira e, cuja doutrina é desculpa e "abrigo" para homens com comportamentos abusivos e violentos, em que a vida de uma criança de 12 anos pode ser destruída em nome da religião!

 

publicado às 12:56


19 diagnósticos

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De [Mad]emoiselle O a 15.07.2015 às 14:08

Meu Deus! Por mais que me depare com cenas semelhantes todos os dias, não consigo deixar de me chocar quando assisto a coisas deste género.
Mas não vamos mais longe, tenho Jeovás na família e já assisti a coisas ridículas , já me enervei e discuti muito à conta disso.
Não me venham com merdas que é só da religião. Não. É das pessoas. Há pessoas e pessoas. E existem pessoas que não são burras. E essa que descreves (o pai da miúda ) é uma mentalidade de uma pessoa analfabeta de espírito. Tal como tantas outras.
Então e agora? Vão obrigar a miúda a casar e a ter filhos aos 12 anos (!) só para garantir a entrada dela no paraíso?!
Oh senhores, poupem-me!
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De Neurótika Webb a 15.07.2015 às 14:10

olha...nem quero pensar muito no assunto. só de pensar no que vai acontecer à miúda, dá-me nervos!
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De Palomina a 15.07.2015 às 15:55

Sou uma espécie de católica não praticante e uma pessoa que pouca crença ou nenhuma tem em um Deus que dizem existir, porque sou quase como S.Tomé, ver para crer.
Mas não sou de acordo que uma criança de 12 anos tenha um filho, sela qual for o motivo.
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De lady_m a 15.07.2015 às 14:34

E denúncia à CPCJ não?
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De Neurótika Webb a 15.07.2015 às 14:36

duvido que eles se metam nisso. ainda por cima são crenças religiosas, não podes obrigar ninguém a abortar.
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De lady_m a 15.07.2015 às 14:37

Independentemente das crenças religiosas é uma criança grávida, acredito que a CPCJ queira pelo menos fazer acompanhamento
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De Neurótika Webb a 15.07.2015 às 14:54

eu não me quero meter no assunto. já falei com uma amiga nossa que é directora na protecção de menores e disse que vai falar com ela. mais que isto não faço...
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De Língua Afiada a 15.07.2015 às 16:39

Recentemente falou-se muito num caso similar em que foram os próprios médicos a tomarem a decisão de realizarem o aborto porque existe elevado risco de vida da criança.
Com 12 anos uma gravidez é muito violenta para o organismo, sou contra o aborto na maioria das ocasiões mas neste caso nem sequer pensaria duas vezes.
Já agora eles por acaso já perguntaram à filha o que ela quer?
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De Neurótika Webb a 15.07.2015 às 16:48

achas? o homem é que manda lá em casa.
isto é uma barbaridade.
eu sou a favor, estranhamente, porque sou daquelas mulheres que teve dificuldade, não em engravidar, mas em levar a gravidez a termo. perdi 2 crianças antes do meu filho, os fetos não desenvolviam e a gravidez nunca ultrapassava as 9 semanas.
Fiquei de cama 7 meses, mas o meu filho foi mais que desejado.
Mas....e aqui está o grande MAS, quem não quer ter filhos, tem que ter cuidado, tem que usar prtecção. Há muitas mulheres que fazem vários abortos por ano, e essa devia ser a excepção à nova lei. 1 aborto por ano é gratuíto, mais que isso, paga taxas moderadoras!
Mas neste caso, sacrificar a vida de uma criança de 12 anos desta maneira é um crime!
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De Língua Afiada a 15.07.2015 às 17:13

Claro, um caso como este por maiores que sejam as nossas convicções devemos olhar para o superior interesse da criança. Ao obrigarem-na a ter o filho podem não tirar uma possível vida mas tirar duas vidas a da mãe e a do bebé já totalmente formado.
Eu no caso da tua amiga pegava nela e tratava do assunto o quanto antes e depois contava que tinha sido espontâneo. Isto se ela quiser continuar com um marido tão quadrado como o que tem.
Embora pelo que contas não deverá ser fácil ela abandona-lo por diversos motivos dois deles a guarda dos filhos e a sua subsistência.
Não queria estar no lugar da tua amiga.
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De Petrolina a 15.07.2015 às 17:16

Estou estupefacta com a história, a sério. A própria miúda é uma criança...
Essa coisa de que é pecado abortar e que os putos têm de casar em nome da religião para mim é mente pequena, retrógrada e machista de um pai.
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De Neurótika Webb a 16.07.2015 às 11:50

No caso da tua colega a coisa ainda é pior. Achar que a filhar ter sido vítima de pedofilia é uma coisa normal. (que é o que aquilo é! Nenhum homem de 23 com a cabeça no lugar vai para a cama com uma miúda de 11 anos, dado que foi mãe aos 12, deve ter engravidado aos 11).
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De Cris a 24.07.2015 às 10:12

Neurótika só agora vi post estou em estado de choque! Como tu, perdi dois bebés (não consigo chama-los fetos...) às 9-10semanas e o meu filho foi o mais desejado como podes imaginar e sou por regra antiaborto como método "anticoncepcional" mas no caso de crianças...???então destroem-se 2 vidas em vez de uma???!!!(ou melhor 3 porque se o marido da tua amiga conseguir o casamento são 3) nem quero imaginar o que ela coitada está a passar e a pobre da miúda! bjs
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De Neurótika Webb a 24.07.2015 às 11:22

Isto sim é um crime...eu passei pelo mesmo que tu. Mas fiz uma IVG, já o meu filho tinha 9 anos, porque não me estava a ver passar por tudo outra vez...ah, e desta vez com amniocenteses à mistura, que aumenta o risco de aborto.
Foram uma série de factores que me levaram a interromper a gravidez, 1º estava com a pessoa com que estou agora há apenas 4 meses, tinha acabado de ser promovida e havia um sem número de problemas médicos associados.
e diz-me, se engravidasses, não te vinha tudo à cabeça outra vez? Eu tive os abortos expontâneos, um com 9 semanas e o outro com 13....não é fácil!
O que aconteceu com 9 semanas, eu estava de repouso e, bastou levantar-me do sofá da sala, onde estava deitada, para me sentar para jantar....foram 4 passos, e de repente, estava cheia de sangue...isso não se esquece.
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De Cris a 24.07.2015 às 11:31

É verdade, os meus foram espontâneos e sim ficamos a pensar em tudo o que passamos...sabes que não consigo deixar de pensar na filha da tua amiga e como o pai está a ser uma cavalgadura!!! desculpa estar a escrever sobre este assunto passado tanto tempo, mas só agora tive tempo de pôr leitura em dia...
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De Neurótika Webb a 24.07.2015 às 12:07

sem problemas! és sempre bem vinda!
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De Joao a 06.08.2015 às 22:33

O problema começa pelo facto de não vos ensinarem o que é realmente correto, por tanto qual é a Verdade, aquela que trás benção.

A partir do momento que o espírito do ser humano toma conta plenamente do seu corpo deixa de ser uma criança, e passa a adolescente... a função da mãe e do pai passa a ser de amigos, visto que para todos os efeitos estão perante um ser humano independente deles perante o Criador. Uma das consequências no caso das mulheres é passarem a puder engravidar, e se podem engravidar é porque o corpo está pronto para isso, caso contrário não podiam engravidar... as opiniões podem variar conforme as ideias pré-concebidas, mas isso é um facto.

A rapariga não deve abortar, porque se gostam dela, não vão querer que ande o espírito de outra pessoa agarrada ao pescoço dela e ainda terá de resgatar tal erro no além.

O obrigar o rapaz e/ ou a rapariga a casarem é de todo inaceitável! Ou ambos se vêm um no outro a pessoa que querem ter a seu lado, e tal começou desde o início sem qualquer malícia, ou tal casamento é nulo perante a Luz, logo um erro grave pelo qual tal pai terá de resgatar se ainda lhe sobrar tempo para isso.

O marido dela está errado ao mencionar Eva e Adão, pelo simples facto que eles sempre tiveram no paraíso e ao contrário da história mentirosa propagada pela religião estes nunca erraram! O erro de facto aconteceu, mas foi aqui na Terra depois de os seres humanos se terem deixado influenciar pelo arcanjo que as induziu ao erro, isto apesar de prévios avisos por parte dos seres da natureza.

A sua amiga/ conhecida foi atrair alguém que se parece com ela, pois se a sua amiga/ conhecida fosse uma pessoa absolutamente correta, assim como o marido e se mantivesse afastada de outras pessoas erradas provavelmente a filha seria diferente e mais correta.

Por isso o marido está de facto a salvar a filha de um fardo, ao permitir que a criança nasça. Se não tiverem hipóteses nenhumas de cuidar da criança, podem sempre entregar a outras pessoas para tomar conta, afinal há quem não possa ter e aceite ter tal enorme responsabilidade de educar alguém (se está à altura é que pode ser outra conversa).

As mulheres são superiores espiritualmente, visto que é vossa função retransmitir a luz, mas desde que se deixaram influenciar para o errado, que tem sido em primeira linha as principais culpadas do descalabro, visto que são quem tem mais responsabilidade sobre as futuras gerações. Isto não isenta os homens de responsabilidades que têm, e são muitas!

As religiões todas, sem excepção, devem todas desaparecer nos próximos decénios e apenas a Verdade deverá permanecer para ajudar e ser a tocha que ajuda a manter todos no rumo correto para salvação de cada um.
É preciso lembrar que sua Alteza o Filho de Deus nunca criou nenhuma religião? Também sua Alteza o Filho do Homem também não... pelo que nenhuma poderá permanecer depois deste período de tempo que ainda decorre em que cada um determina a sua existência futura conforme as suas intuições, pensamentos e actos.
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De Neurótika Webb a 06.08.2015 às 22:51

Para isto tudo, só tenho uma resposta, fui educada em colégios católicos, e há muito tempo que descobri que a única obrigação que tenho é comigo e com o meu espírito. Não acredito em nenhuma entidade que me venha julgar...no final, sou eu que me vou julgar a mim própria e sou eu que tenho que enfrentar os meus actos e as minhas decisões.
E, lamento, mas não acredito numa religião em que nos templos não podiam entrar mulheres nem cães...esse tipo de culpabilização deixou de funcionar comigo há muito tempo.

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