Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Crises existênciais de um adolescente

por Neurótika Webb, em 28.01.16

O meu filho está no meio de uma crise existêncial. 

Quer deixar a escola. Diz que está desmotivado e que não entende os métodos de ensino, que não lhe estão a ensinar nada de novo.

O meu papel é pressioná-lo para acabar o 12º ano e ir para a faculdade.

O problema é contra-argumentar com ele, quando ele está cheio de razão.

Quando num curso de artes, o professor de multimédia pede uma trabalho em Movie Maker, é para rir, não é?

Ou quando a professora de projecto lhes pede a apresentação do portfólio anual em Power Point, então é mesmo de rebolar no chão a rir.

Como referi na última reunião de pais, se um designer me enviar o portfólio em Power Point, nem sequer abro. Não admito que um candidato a uma vaga de designer me envie os trabalhos num programa do....Office! Isto mostra-me que não tem competências suficientes para trabalhar com ferramentas profissionais de design.

 

Mas então que raio de competências é que estão a transmitir ao meu filho, quando um dos professores nem sequer sabia o que era o Bambu?

 

O sistema de ensino português está obsoleto e com professores que pararam no tempo e não têm a mais remota ideia do que se passa no mercado de trabalho!

 

Ou, não passámos já todos por isto há 20 anos atrás, em que entrámos no mercado de trabalho e ficámos a olhar para o monitor do computador sem fazer a mais remota ideia de como funcionava o programa que estava à nossa frente? 

 

E não evoluímos nada? 

 

Não há um diálogo entre o sistema de ensino e os empregadores?

 

É ridículo!

 

1a.jpg

 

 

 

 

 

publicado às 13:18


49 diagnósticos

Sem imagem de perfil

De OKaede a 28.01.2016 às 23:55

Olá Neurótika, vou tentar dar alguns pontos resumidos para ver se consegues mudar a opinião do rapaz ^^ (acho que ele tem toda a razão, mas enfim...)

1- Os professores fazem formações e tentam adquirir actualizações na área que explicam. Contudo, o Ministério regula a educação através de Programas e metas curriculares = PDF em Comic Sans (os de F.Q usam este tipo de letra para causar cegueira) com homologações de vários anos (Fui fazer check à homologação da matéria de Desenho A do Secundário - foi feito em 2001/2002). Ora nesses PDFs bonitos utilizam-se palavras de "Sociedade, Cidadania" ou "Exigir e Reforçar competências" durante páginas e páginas. Para além de palavrinhas que pouco importam, tem o planeamento, dicas e recursos. Não verifiquei os recursos dos programas do ramo das Artes mas penso que sejam recursos de 2002. Eles normalmente não gostam de fazer alterações, porque é preferível esticar por longos anos. Fui de Ciências e só ouvia, entre lamentos e desespero, os professores a reclamarem: "Isto está incorreto. Não acontece realmente assim, mas pensem lá assim para exame". Acabei até por verificar que grandes mecanismos eram mal explicados, visto que no programa salientavam que "é só isto, e outros termos/noções são para evitar".
2- Há softwares gratuitos com devidas limitações, outros com essas opções anuais. No entanto há tantos outros problemas na Educação, que se formos a ter em conta, esgotam o dinheiro. Desde os laboratórios de Ciências, os cursos técnicos, as necessidades especiais, escolas a caírem e a fracturarem em blocos, o dinheiro necessário para escolinhas públicas de diferente camada social (acreditem que acontece); as "escolas com santo no nome" (expressão da grande M.J); e claro o contrato anual das escolas com máquinas de café. Dou o meu exemplo: Em Física não se faz todas as experiências - na minha escola não havia todos os equipamentos, e o bom estado do material é sempre uma ilusão.
3- O Secundário é mais pelo crescimento social, adquirir espírito critico e cultura geral e ganhar independência. É difícil, mas nem toda a gente tem a sorte que isto venha de casa. Digo por experiência própria - as pessoas ficam algumas vezes surpreendidas porque às vezes falo sobre determinados assuntos. Só sei porque apanhei de professores, de vídeos, livros ou até jogos. Como o teu filho tem a oportunidade, ele sempre podia ter um tempinho semanal para fazer algo relacionado com a área dele, mas que lhe aumente significativamente os conhecimentos.
4- Ele deve ter Inglês, e presumindo que ele tem fluência, ele não acaba por fazer a disciplina sem dificuldades?? Acaba por não aprender nada de novo, mas deve tolerar.

Realmente, ele pode estar a amadurecer rapidamente e está a banalizar os métodos de ensino (e muitas outras coisas da vida) porque conhece as falhas e porque não precisa daquilo para nada (gasta tempo). Que tal lhe dizeres para ele levar as coisas menos a sério, estudar de forma a atingir boas notas facilmente, para ele entrar num curso que queira e depois colher os frutos no futuro (sempre pensei assim, e deu para não enlouquecer). Sei lá, se na tua cabeça ele tem que fazer esse percurso é porque achas que é benéfico - é uma forma de adquirir ferramentas em todos os aspectos da vida. Agora é um caminho necessário a percorrer? Não. Tantos outros padrões/caminhos de vida.

P.S: Independentemente da educação, nós crescemos todos dentro de um espetro (neste caso, presumo que seja centrado em bons valores), mas acabamos por ser sempre "alminhas complicadas." Às vezes, é melhor deixar o rapaz resolver os assuntos existenciais por ele.
Se achas que ainda não o consegues convencer, pergunta ^^
Imagem de perfil

De Neurótika Webb a 29.01.2016 às 08:59

Já me ri com os PDF's em Comic Sans...mas está bem empregue, por os programas são uma anedota!
Eu percebo tudo o que dizes, mas o problema é ter que lidar com esta crise dele, que eu percebo, mas o meu papel de mãe é fazer com que ele não abandone a escola.
Ando à procura de alternativas, já encontrei algumas, mas vamos ver se ele quer.
Na pior das hipóteses, vai para fora.

Comentar neurose



Neuroses

Neuroses

Fovias

Manias

Insonias

OS OUTROS BLOGS



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.